17 de setembro de 2008

Em terra de cego


Desde que soube da produção do filme "Ensaio Sobre a Cegueira" fiquei me coçando pra saber o que ia sair de uma obra de José Saramago (um dos meus escritores preferidos. Recomendo pencas "O Homem Duplicado") dirigida por Fernando Meirelles. Na minha cabeça já não tinha como dar errado. O cartaz sensacional e propositalmente simples e claro só trouxe mais expectativa em cima do filme.

Hoje fui no cinema e assisti. O filme é realmente muito bom e eu até entendo porque muita gente não gostou. Ele não é um filme fácil de se ver, muito pelo contrário. Em poucas linhas, é a história de uma cegueira branca que atinge a todos, menos uma mulher. O livro eu ainda não li, mas já coloquei na minha lista. Mas, li resenhas sobre e, como todo livro é recheado de metáforas e alusões. Essa cegueira física não é bem física, sabe como é? Tanto que Saramago já tinha se recusado a vender os direitos do filme ao Fernando Meirelles antes. Quem o convenceu foi o produtor canadense Niv Fitchman.

No filme as coisas são bem mais claras e óbvias e portanto, se torna um filme bem dramático e forte, pesado. Sabe aquela sensação heavy metal que fica depois um filme desses? Esse tem. Me lembrou muito o que senti quando assisti Dogville. Dá um certo "que merda, sou humana" de tanto que se reduz o homem a sua natureza. Sempre fico pensando na fase Naturalista da Literatura Brasileira. Livros como "A Normalista" de Adolfo Caminha, que mostram basicamente os instintos humanos. É bem isso. É bem dolorido se reconhecer na mesma condição do que se está vendo na tela e por isso é fácil sair dizendo que o filme é uma merda.

Existem alguns momentos bonitos e divertidos. Um dos que eu recomendo extrema atenção é o que eu vou chamar aqui de "a tomada do microfone". Prestem atenção. É uma referência cruzada boba, mas bem engraçada. No meio de tanta barbárie, um sorriso faz bem. Se não acharem a referência, fica a dica. E aviso logo, não adianta clicar na dica se não tiver visto o filme, não vai fazer muito sentido.


A estética do filme é muito bem trabalhada também. Em alguns momentos é bem cansativo e leva algum tempo pra se adaptar com as variações entre a claridade e a escuridão do filme, mas tem tudo a ver com a proposta e traz a idéia do que se passa com os personagens para quem está assistindo.

E só mais uma curiosidade do filme, li numa matéria do Estadão sobre a coletiva de imprensa do filme no Festival de Cannes (foi o filme de abertura): A Julianne Moore apontou que este filme traz a tona o futuro do cinema globalizado. Em toda a equipe haviam 3 americanos e uma grande fusão de outras nacionalidades. Brasileiros, mexicanos, canadenses e japoneses. Uma coisa bem Lost, e que é super positiva pro futuro da sétima arte.

Enfim, recomendo que vá ver em um dia de vibrações positivas. Faz a diferença. Pra sentir o clima, vê o trailer:



3 comentários:

Anônimo disse...

livro fantástico ( vc TEM q leer)!
mal posso esperar pelo filme..
;)

iris disse...

Por isso que eu AMO seu blog, Djoey!

Tia Paula disse...

Eu gostei do filme, mas para quem leu o livro (meu caso), ele não tem absolutamente o menor impacto.Por incrível que pareça.

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